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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Cartier-Bresson fotografa Matisse

Pierre Assouline relata a história por trás da famosa foto de Henri Matisse feita por Cartier-Bresson.



"Matisse não gosta de ser fotografado. A idéia de posar o arrepia. A indiscreta curiosidade dos fotógrafos o desagrada. E, além disso, o distraem de seu trabalho. Mas este [Cartier-Bresson] tem o dom de se fazer esquecer, como um gato. Nada melhor do que passar despercebido quando queremos observar. Cartier-Bresson chega pontulamente à seu ateliê, senta num canto e fica horas sem dizer palavra, nem ao artista nem à modelo, Lydia Delectorskaya. Nada de conversas; não apenas seria indecente como estragaria tudo. Quando tira uma foto, seu gesto é tão furtivo e silencioso quanto o espirro do homem invisível. Quando esquece que é personagem, Matisse não posa mais, é ele mesmo, com um lápis na mão, uma pomba na outra, ausentando-se do resto do mundo. É esse exato instante que o fotógrafo escolhe para captar o indizível olhar trocado entre o homem e o animal."

Pierre Assouline, em "Cartier-Bresson: o olhar do século", L&PM, 2008, p. 144.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Martin Munkacsi



Trecho da biografia de Henri Cartier-Bresson que cita a fotografia acima:


"Tirada entre 1929 e 1930, publicada em 1931 na revista Photographies, é assinada por Martin Munkacsi, um antigo fotógrafo esportivo que se tornara repórter de longas viagens e que resumia sua filosofia em algumas frases:

Ver num milésimo de segundo aquilo com que as pessoas indiferentes convivem sem perceber, esse é o princípio da reportagem fotográfica. E, no milésimo de segundo seguinte, fazer a foto daquilo que se viu; esse é o lado prático da reportagem.

A foto mostra três adolescentes - negros e nus, vistos de costas, correndo para as ondas do Lago Tanganica. Ela tem tudo para abalar Cartier-Bresson porque representa tudo que o atrai: a África, que continua a assombrar suas noites; a água do mar, que os surrealistas transformaram em água abissal capaz de ramificar secretamente o inconsciente; o senso de composição como o jogo das silhuetas, a massa de areia e as linhas formadas pela espuma; o movimento, a juventude, a energia, a velocidade. E também a vida, nada mais que a vida. Ao longo da toda a própria vida, Cartier-Bresson não terá palavras suficientes para pagar sua dívida para com essa imagem:

De repente entendi que a fotografia podia fixar a eternidade no instante. Essa foi a única foto que me influenciou. Nessa imagem há uma intensidade, uma espontaneidade, uma alegria de viver, uma maravilha tão grande que me deslumbra até hoje. A perfeição da forma, a percepção da vida, uma vibração sem igual... Pensei: bom Deus, podemos fazer isso com uma máquina... Senti como que um pontapé na bunda: vamos, vai!

Assim, sem querer, um fotógrafo foi guia de outro fotógrafo. Uma obra comprometeu uma vida."

Pierre Assouline, em "Cartier-Bresson: o olhar do século", L&PM, 2008, pp 68-69.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Biografia de Cartier-Bresson

Comecei a ler hoje a biografia de Henri Cartier-Bresson, um dos fotógrafos mais brilhantes de nossa história. Dei uma paradinha na leitura para vir até aqui e colocar um pequeno trecho do primeiro capítulo. É só clicar em cada imagem que o texto abrirá em nova janela.