segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Caio: nome próprio ou conjugação verbal?

Foto: Heuler Andrey, Agência Estado


Caio é nome próprio. Mas "caio" também é uma conjugação do verbo "cair".

A tarde deste domingo foi um convite irrecusável ao óbvio trocadilho entre o Caio nome próprio e o caio verbo.

Pois o nome próprio triunfou sobre o verbo.


Caio brilhou, o Avaí não caiu.

Na feliz tarde de domingo, o verbo cair, já tido como conjugação certa por alguns, foi deletado da Ressacada.

E Caio, nome próprio, deixou de ser próprio, para transformar-se no nome coletivo de cada Avaiano.

No ano em que não caímos, somos agora todos Caio.



sábado, 27 de novembro de 2010

Libera, Fofa!!!

É tão grande a agitação que envolve a partida do Avaí amanhã, que até mesmo as esferas conjugais foram alcançadas.
É o caso do casal Alexandre e Cíntia, ela singelamente chamada por Fofa na intimidade marital, ele um Avaiano roxo.
Pois quis o destino que o jogo da vida do Avaí caísse exatamente na data em que o casal comemora 12 anos de vida conjugal.
E aí o marido, dividido entre o amor e o amor, resolveu começar uma campanha intitulada "LIBERA, FOFA!", explicada abaixo com as palavras do próprio protagonista:

"Esta foto é da minha esposa Cíntia, a Fofa e meu filho Guilherme. Dia 28 de novembro, próximo domingo, completaremos 12 anos de casados, mas, neste dia tem jogo na Ressacada.
Sobre a importância do jogo não preciso dizer nada pra vocês, mas peço a ajuda para convencê-la a me liberar para o jogo mandando um e-mail para liberafofa@gmail.com. Isso pode fazer toda a diferença.
Ela é professora do 1º Ano D (vespertino) no Colégio Catarinense. Se você a encontrar pessoalmente, interceda por mim.
É lógico que ela não sabe que eu estou fazendo este pedido pra vocês, então, disfarcem,hehe.
Valeu!
Alexandre Mendonça




O Blogulhéu, é claro, abraça efusivamente esta romântica campanha.
Então o recado está dado e a campanha segue a todo vapor.
E amanhã, todos os caminhos levam à Ressacada, seja você solteiro ou casado.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Torcedor do Figueira: não assista este vídeo

Talvez você não reconheça este nome. Alfredo Santos Loebeling foi árbitro da partida entre Figueirense e Caxias em 2001 pela série B, que entraria para a história como a partida de acesso do Figueirense à Série A.

Alguns meses atrás, o ex-árbitro concedeu uma entrevista em que relata os bastidores da polêmica partida, a influência política que colocou de maneira vergonhosa o time do Estreito na primeira divisão do futebol brasileiro, e o seu banimento do quadro de árbitros por não ter aceitado participar da fraude.

O Bloguilhéu adverte: torcedores alvinegros não devem assistir este vídeo até o final. Sério, não façam isso. Vocês morrerão de vergonha. Acreditem, não assistam.


Via memoriamagnetica on Vimeo.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Apanhei-te Cavaquinho

Yamandu Costa e Armandinho, dois virtuoses da música brasileira, interpretando a canção Apanhei-te Cavaquinho. Tentei encontrar um adjetivo para o que você verá neste vídeo, mas não consegui.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Imagens de Serra após a eleição

Após uma cansativa e medíocre campanha presidencial, o Bloguilhéu foi respirar o ar fresco da Serra Catarinense, e aproveitou para registrar algumas imagens para ilustrar o post de hoje.











terça-feira, 26 de outubro de 2010

Eleições e a Agricultura Familiar

Publicamos abaixo mais uma manifestação respeitosa, baseada em experiências reais do cotidiano da Cooperativa da Associação dos Agricultores Ecológicos das Encostas da Serra Geral. Recebemos esta mensagem porque somos clientes da Cooperativa na compra de produtos orgânicos, e consideramos um importante testemunho que pode contribuir com o deslocamento do debate infrutífero para um debate de idéias que interessam à nossa sociedade.


Caros clientes da CooperAgreco,

Pedimos desculpas pela ousadia, mas consideramos necessário incluir na cesta desta semana, junto com o sabor de nossos produtos, este texto que traz reflexões de quem tem lutado para produzir alimentos limpos e saudáveis para você e sua família, assim como para construir uma sociedade brasileira que respeite a natureza e os homens e mulheres do campo.

Estamos, neste momento, vivendo um processo eleitoral que julgamos decisivo para a definição do ambiente político-institucional em que atuamos. Por isso, temos acompanhado com muito interesse as discussões sobre a eleição presidencial. Temos feito isso em contato com nossos representantes de vendas, com compradores de supermercados, com consumidores finais, nos restaurantes em que nossos produtos são servidos, e, de forma geral, por todos os lugares urbanos em que passamos.

Percebemos, em boa parte dos casos, que as opiniões estão sendo formadas sem considerar as políticas públicas voltadas à agricultura familiar e, especialmente, à agricultura orgânica. Ora, mas são essas políticas que nos afetam diretamente e que tornam possível, ou não, aumentarmos e melhorarmos a produção do que levamos as suas casas e mesas. Passamos a perceber que, na cidade, essas políticas são, contudo, muito pouco visíveis.

Por este motivo, pensamos ser importante indicar a você, caro cliente cidadão (no duplo sentido de “habitante da cidade” e “indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos”), como vivenciamos as políticas federais que afetam o campo nos últimos oito anos (Governo Lula).

Se, hoje, somos uma rede de mais de 300 famílias de agricultores das Encostas da Serra Geral, é porque tivemos, ao longo desse período, grandemente ampliadas as oportunidades de produção e comercialização de alimentos orgânicos.

Esse avanço foi possível com o auxílio de diversos programas do Governo Federal. Os dois principais: o PRONAF - Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar e o PAA - Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar, que garantiram crédito e canais institucionais de comercialização para que pudéssemos expandir nossa produção e aumentar o número de agricultores familiares convertidos à produção orgânica.

A continuidade desses programas parece óbvia. Mas, não é! Exige compromisso com um modelo de desenvolvimento sustentável e com uma perspectiva de fortalecermos um Brasil rural com gente. Muita gente. E vivendo feliz, criando aí seus filhos e netos.

Pois bem, nossa experiência mostra claramente que esse compromisso existe apenas na candidata da Coligação “Para o Brasil seguir mudando”, Dilma Roussef. A outra candidatura aponta, ao contrário, para a descontinuidade, com uma ruptura com os princípios dessas políticas, seja em função de suas próprias opções, seja em função dos compromissos que já assumiu com os grandes produtores do agronegócio.

A CooperAgreco, juntamente com a Associação dos Agricultores Ecológicos das Encostas da Serra Geral (Agreco), tem o sonho de ter nessa região, rica em nascentes d’água, remanescentes da Mata Atlântica e agricultura familiar ainda “colonial”, um território sustentável que garanta a qualidade desses recursos naturais e a dignidade do seu povo. Ela quer concretizar esse sonho e sabe que isso exige, por mais tempo, o apoio de políticas públicas diretamente voltadas à agricultura familiar orgânica.

Foi considerando sua preferência por nossos produtos e sua confiança em nossa postura ética, tanto na produção dos alimentos que você dá aos seus filhos, quanto na construção de um mundo melhor que também será para eles, que julgamos possível e adequado fazermos essa manifestação.

Muito obrigado pela compreensão e pelo apoio.

CoperAgreco.

Eleições e as pessoas com deficiência


Transcrevo abaixo mensagem que recebi do meu amigo Adriano H. Nuernberg, professor do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina e pesquisador nas áreas de Psicologia Escolar e Educacional e Estudos sobre Deficiência.

Meus amigos,

Estamos a ponto de realizar a escolha entre os candidatos à presidência do nosso país e creio que todos desejam fazê-la com base em argumentos consistentes.

Não estou aqui para satanizar ou idealizar nenhum candidato, mas apenas apresentar um argumento pontual, pertinente à minha área de trabalho como professor e pesquisador, que contou para que minha opção fosse pela candidata Dilma Rousseff (PT).

Nos últimos anos vimos os maiores avanços na inclusão das pessoas com deficiência no país, em todas as esferas: trabalho, educação, saúde, assistência social.

Também foi durante o governo Lula que se aprovou, com a agilidade merecida, o mais importante documento para a defesa dos direitos das pessoas com deficiência, a Convenção Internacional pelos Direitos da Pessoa com Deficiência, promulgada pelo presidente em 2008.

Por sinal, essa Convenção foi amplamente criticada por alguns membros do PSDB que são muito influentes na Educação Especial brasileira, como Eduardo Barbosa ( do PSDB-MG que também é presidente da Federação Nacional das APAEs).

Avaliando as propostas de ambos os candidatos, fica claro que Serra, que conta com o apoio das APAEs, acena para o reforço de uma política segregacionista que historicamente se perpetua no país.

Ademais, tenho estado atento ao modo como Serra se refere às pessoas com deficiência, em grande parte das vezes evidenciando uma noção pautada pelo modelo médico e a assistencialista da deficiência.

Para mim, Dilma representa a continuidade do reforço dos mecanismos democráticos como as Conferências pelos Direitos das Pessoas com Deficiência, que levam a voz desse grupo social para as decisões quanto às políticas públicas dessa área, pensando a Deficiência como um tema transversal a todas as esferas, da Educação, ao trabalho, à Assistência, e o fazendo a partir de um modelo social da Deficiência.

Serra, ao contrário, reforça a lógica do especialismo e da segregação, ao propor o “Ministério da Pessoa com Deficiência”.

Não se enganem: as pessoas com deficiência não querem nada especial, nem Estatuto, nem Ministério só para elas, mas sim, ver seus Direitos Humanos reconhecidos, como nosso atual presidente tem sido capaz de reconhecer nesses anos, situando a Coordenadoria que trata das questões desse grupo social na Secretaria de Direitos Humanos e enfrentando a questão das barreiras às pessoas com deficiência em todos as áreas, transversalmente.

Enfim, existem vários outros motivos que pautam minha escolha por Dilma, dentre eles estão aqueles que a ilustração neste link descreve. Aqui desejei apenas acrescentar outro motivo que pode ser considerado em suas escolhas.

Abraço a todos e obrigado pela atenção.

Adriano H. Nuernberg

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A vitória de ontem

Por Alexandre Francisco Cavallazzi Mendonça

Ouso dizer que o Avaí começou ganhando o jogo! Ganhando?! Sim, ganhando ainda no ônibus, quando passou pela torcida apaixonada, uns com faixas, cartazes e bandeiras, outros com fogos, sinalizadores, tambores e cornetas, mas todos com sangue nas veias, pulmões na garganta e lágrimas nos olhos.

Ali naquele momento, a Ressacada voltou a pulsar. Tal como um desfibrilador, cada grito, cada espocar de um foguete era como um choque no coração do Leão. Aquele tiro que tomamos no primeiro minuto parecia ter nos atingido em cheio, tanto que sangramos por cinqüenta minutos. O Leão por um momento havia esquecido que vestia um escudo azul.

No intervalo, aquelas ações da torcida começaram a fazer efeito. Os jogadores viram que deviam fazer mais e melhor. E, fizeram. Na primeira estocada, o inimigo acusou o golpe e o Coração Azurra aumentou o ritmo das batidas. Veio o segundo seguido de êxtase e o terceiro sem adjetivos. O Leão respirou o ar que saia dos pulmões da torcida, como numa respiração boca a boca.

A batalha estava de novo nas patas do Rei da Ilha, mas longe de terminada. Das arquibancadas eram fornecidos o oxigênio o sangue e o soro, do lado do gramado, gandulas, jogadores reservas, o técnico e demais integrantes do banco eram os auxiliares de enfermagem, cada um cumprindo seu papel. Do lado de fora, alguns abutres até sobrevoavam fazendo questão de lembrar que o Leão costuma tomar um tiro no final das batalhas, repetindo aquilo como um mantra, na esperança que essa desgraça se repetisse.

Encerrada a batalha, o animal estrangeiro estava definitivamente abatido em terras sagradas e o Leão, Rei da Ilha, ferido, mas vitorioso, desabou ao chão num gesto que demonstrava muito mais do que imaginamos. Ao fim daquela luta, gramado ao qual os Jogadores se entregaram exaustos, transfigurou-se de campo de batalha em braços da torcida. Cada torcedor estendeu seus braços e amparou o Leão exausto, mas não abatido; ferido, mas não morto.

O que vem depois, só interessa ao depois, hoje o coração pulsa com mais vigor, com mais sangue e com mais oxigênio. A ferida ainda não está curada, mas o remédio e o tratamento não podem parar.